O trânsito nosso de cada dia Destaque

Escrito por  Urbano Nóbrega
Publicado em Economia Afinada
Terça, 15 Abril 2014 00:00

 

Nessa semana última, uma reportagem interessante falava sobre o aumento da população brasileira associada ao do número de veículos, o que me fez refletir sobre esse tema ao ponto de fazer um questionamento sobre quando se daria, em nossa sociedade, o fim da hegemonia do automóvel sobre o limitado espaço viário disponível nas cidades. Nesse futuro do pretérito automobilístico, marcar o fim de uma era parece ser tão improvável e imprevisível quanto a que apostar, hoje em dia, que as soluções de mobilidade urbana pensadas para a Copa do Mundo estariam todas prontas para estrear antes da primeira partida do mundial marcado para o dia 12 de junho. Mas, e a economia?

Pois bem, o conteúdo da reportagem era sobre a divulgação do relatório do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) com o título “Evolução da frota de automóveis e motos no Brasil 2001-2012” que acabava de ser divulgado pelo Observatório das Metrópoles. A publicação que mostra uma série de dados quantitativos sobre a frota de veículos automotores no Brasil traz em sua manchete um comparativo entre o aumento da população brasileira, que em 10 anos cresceu cerca de 12% (Censo Demográfico do IBGE, 2000 e 2010), com o acréscimo no número de veículos, que em 11 anos (Denatran, 2001 a 2012) aumentou cerca de 139%.

Em termos quantitativos, o número de veículos que trafega hoje pelo Brasil passa de 76 milhões de unidades, incluindo, sobretudo, carros, motos, ônibus e caminhões, o que há 11 anos estava perto de 32 milhões, enquanto a população passou de 172 para 193 milhões de habitantes. Ao que tudo indica esse movimento expansivo no número de veículos está associado ao aumento de renda da população, que pôde financiar a compra de seu carro ou de sua moto, como também, na conjuntura econômica favorável que em determinado momento pôde interferir na alíquota do imposto cobrado pelos carros e na ascensão econômica de diferentes estratos da população.

De fato, uma maior quantidade de veículos entrando em circulação aumenta a arrecadação do Imposto de Propriedade de Veículo Automotor ou simplesmente o IPVA. Mas, ao prestar atenção na situação de ruas e estradas por onde esses mesmos veículos passam, pode-se se ver que a estrutura das cidades não acompanhou esse crescimento. A impressão que se tem é que, de tudo o que é arrecadado, muito pouco se investe no planejamento e construção de uma infra-estrutura de transportes que possibilite o resgate da escala humana da cidade, sendo essencial harmonizar os movimentos de carga e de pessoas, com um espaço bem delimitado para cada tipo de transporte.

Outro ponto bastante debatido na apresentação do relatório foi à observação quanto ao aumento no número de motos, que pasmem, passou de 4,5 milhões para 19,9 milhões significando um acréscimo de mais de 342%. Na verdade, a motocicleta é um meio de transporte mais democrático do ponto de vista do uso do passeio público por ocupar menor espaço, mas também é o mais perigoso e provoca mais acidentes. Segundo o Mapa da Violência 2013, as motocicletas transformaram-se no ponto focal e causa explicativa do crescimento da mortalidade cotidiana nas vias públicas, sendo caso de estudo da saúde pública por exigir pesados recursos públicos para minorar os seus efeitos deletérios na vida dos seus usuários que se acidentam.

Na verdade, o relatório mostra claramente a situação do trânsito nosso de cada dia, com congestionamentos cada vez maiores e em qualquer lugar não existindo mais àquele caminho calmo ou desconhecido, isso sem falar do crescente risco de acidentes que todos nós estamos submetidos, o ruído provocado pelas buzinas dos carros, a fumaça que engolimos dos escapes, o combustível caro que temos que abastecer, sem falar na falta de paciência do motorista que se esquece que ele também é pedestre!

Urbano Nóbrega – Portal 24 Horas PB - (15/04/2014)
*Urbano Nóbrega é economista, formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e mestrando em Administração e Desenvolvimento Rural na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Atualmente é coordenador do Centro de Pesquisa (Cepesq) do Instituto Fecomércio em Pernambuco e trabalha na produção de índices de acompanhamento do varejo na Região Metropolitana do Recife (RMR), além de ter participado diretamente da implantação das sondagens de opinião junto aos empresários/gestores e consumidores, captando informações nas principais datas comemorativas do comércio de bens e serviços.Email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Lido 1585 vezes Última modificação em Terça, 15 Abril 2014 11:12

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