As expectativas e as decisões de investir e produzir Destaque

Escrito por  Urbano Nóbrega
Publicado em Economia Afinada
Sábado, 17 Maio 2014 00:00

 

Nos tempos de hoje, véspera de uma Copa do Mundo aqui no Brasil, falar em expectativas para a maioria absoluta do povo brasileiro é o mesmo que dizer que a seleção será a campeã do torneio intercontinental. A essa altura, os problemas no acabamento das obras do pacote da copa, tanto as que ficaram prontas quanto as que ainda deverão ser entregues (túneis, elevados, corredores exclusivos de transporte público, aeroportos etc.) já traz alguma preocupação para o governo, além de envolver a sociedade em um clima de incertezas quando se questiona se realmente serão entregues. Mas, certamente que até a total conclusão das obras muitos milhões de Reais ainda serão consumidos para que tudo fique pronto, logicamente após a competição. Mas e a economia?

Na economia, as expectativas têm um importante papel na explicação de variáveis macroeconômicas, como a inflação ou o nível de investimentos, e dependendo do seu comportamento, se otimista ou pessimista, pode induzir ou frear alguma decisão de investimento, como também, influenciar no aumento ou diminuição dos preços. O sentido da palavra expectativa está na condição de quem espera pela ocorrência de alguma coisa, a perspectiva do por vir, estado de quem espera algo.

Mas de maneira ampliada, expectativas funcionam como amortecedores em momentos de tensão, ao mesmo tempo atuam como renovadoras de esperanças e servem como medida para correções de rota. São também associadas a riscos e incertezas, já que decisões especificamente capitalistas de investir e produzir dependem do seu grau de previsibilidade e do tempo decorrido.

Nesse sentido, fazer ou ter expectativas é “conjecturar sobre um futuro opaco numa tentativa de antecipá-lo”. Trazendo para a economia real, a continuidade e a estabilidade dos negócios depende das expectativas quanto aos rendimentos futuros, na medida em que as decisões de investir e/ou produzir capitalistas “irão depender de projeções de rentabilidade, calcadas em um leque amplo de alternativas presentes na economia” em um dado momento.

No dia a dia, seja na vida das pessoas, empresas ou do governo as expectativas mudam de acordo com a influência de fatores psicológicos e subjetivos inerentes ao ser humano, na medida em que prever o que irá acontecer depende de julgamentos muitas vezes equivocados, “referidos a um passado irrevogável e a um futuro, incerto, desleal e traiçoeiro”.

Um pouco do reflexo das expectativas frustradas, quem diria que em um tempo não muito distante, o povo brasileiro que em festa comemorava a indicação do nosso país para ser sede da Copa do Mundo hoje em dia está tomando conta das ruas com protestos contra sua realização. O que dizer das perdas do comércio de Abreu e Lima (PE), por exemplo, que formaram estoques, melhoraram a aparência de lojas e em poucos minutos viram tudo sendo saqueado e depredado por vândalos que se aproveitaram da greve da Polícia Militar? E do governo federal que orçou gastos para a copa em 2007 da ordem de 2,5 bilhões de Reais e que em 2014 apresentou valores NOVE vezes maiores, ou seja, R$ 25, 6 bilhões?

Infelizmente, o momento econômico e social vivido pelo Brasil é delicado e merece uma atenção redobrada dos gestores do governo nas suas diversas áreas, desde a segurança pública até o Banco Central e o Ministério da Fazenda, pois a inflação vem aos poucos teimando em não regredir. Também existe uma crise no abastecimento de água na principal cidade brasileira – São Paulo, com possibilidade de racionamento já admitida nos bastidores, assim como crescentes índices de inadimplência dos consumidores brasileiros ressentidos com compras feitas anteriormente.

Sem falar do que é mais danoso, o clima de insatisfação popular quanto aos gastos excessivos para a Copa do Mundo, com protestos e manifestações tomando conta das ruas, certamente com interferência direta no horizonte de compras de consumidores, empresários e do governo.

Urbano Nóbrega – Portal 24 Horas PB - (16/05/2014)

*Urbano Nóbrega é economista, formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e mestrando em Administração e Desenvolvimento Rural na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Atualmente é coordenador do Centro de Pesquisa (Cepesq) do Instituto Fecomércio em Pernambuco e trabalha na produção de índices de acompanhamento do varejo na Região Metropolitana do Recife (RMR), além de ter participado diretamente da implantação das sondagens de opinião junto aos empresários/gestores e consumidores, captando informações nas principais datas comemorativas do comércio de bens e serviços.Email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

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