Um exemplo para o mundo Destaque

Escrito por  Urbano Nóbrega
Publicado em Economia Afinada
Quinta, 29 Maio 2014 00:00

De maneira geral, países, estados e municípios estão sempre atentos ou preocupados com a geração de produtos que podem ser absorvidos pela sociedade sob a forma de bens e serviços. Dependendo de como se realiza a produção, seu grau de especialização, a mão-de-obra utilizada, os equipamentos necessários, o gerenciamento dos recursos, os direitos de propriedade, entre outros tantos fatores, assim como as empresas e as pessoas participam desse processo (produtivo), é que indicam se uma nação está em crescimento ou em estagnação. Mas e a economia?

Na economia, uma maneira de aferir o nível dessa produção se dá por meio do cálculo do Produto Interno Bruto, ou apenas PIB, que mede o quanto é gerado em termos de produtos e serviços por países, estados e/ou municípios em determinado período, geralmente de um ano. Pode-se assim dizer que o PIB é uma medida de riqueza, um indicador, para mensurar a atividade econômica, refletindo a pujança ou a dificuldade de cada um, a partir do cômputo das variações na produção total, podendo apresentar taxas positivas ou negativas.

Uma grande quantidade de atividades são passíveis de serem registradas no cálculo do PIB, o que para facilitar sua agregação são classificadas de acordo com o setor da economia ao qual pertencem passando pela agricultura, indústria, comércio e serviços. Pode-se dizer que o PIB reflete a produção material de cada local, assim como a vocação de sua população, a geografia, ou mesmo a política. Basta observar os Estados Unidos, lá sobressaem os gastos com tecnologia e defesa nacionais, na China, exportação de manufaturadas e no Brasil o cultivo agrícola, ou seja, atividades essenciais consagradas por toda a parte formal da sociedade.

A medida que cada nação se empenha para expandir essa produção, algumas consequências (positivas) costumam ser o enriquecimento da população, a geração de empregos, e em condições ideais, a elevação do nível de qualidade de vida das pessoas, desde que problemas tais como a inflação e a falta de investimentos não sobreponham os ganhos. Dentro do mesmo contexto mais de maneira inversa, há também o aumento da poluição das cidades (lixos, rios, ar), a favelização, a devastação das florestas, que por muitas vezes são temas secundários.

Devido a essa visão mais pragmática, técnica, contábil do PIB pousam duras críticas e as principais são a não associação com o desenvolvimento, seja das relações sociais, materiais e de sustentabilidade, nem tampouco com a distribuição igualitária. Neste sentido, basta olhar para o exemplo do próprio Brasil que ocupa uma posição no ranking das oito nações de maior PIB do planeta e também um dos primeiros lugares no quesito concentração de renda.

Imbuído nesse sentido técnico-formal de que alterações positivas no PIB refletem o poder econômico, a Itália, a partir do próximo ano irá incluir no rol das atividades que contribuem para a formação da riqueza de sua economia a “prostituição, o tráfico de drogas, contrabando de cigarro e álcool”. Tal determinação faz parte do primeiro ministro italiano, Matteo Renzi, para cumprir metas fiscais, numa tentativa de recuperar os níveis econômicos do país abalados por uma crise. Se essa moda pegar por lá, irá abrir espaço para no futuro próximo que essas atividades sejam plenamente legalizadas numa clara demonstração de economia popular!

O Brasil e outros países também poderiam se inspirar nessa iniciativa, talvez copiando, mas melhor, desenvolvendo suas próprias potencialidades. O quanto não cresceríamos se a corrupção fosse contabilizada? E a propina ou o suborno? Os Estados Unidos também aumentariam seu poderio econômico com os gastos em espionagem e a China iria se fortalecer tanto com a pirataria que certamente se credenciaria a ser a maior economia do mundo.

 

Urbano Nóbrega – Portal 24 Horas PB - (29/05/2014)

*Urbano Nóbrega é economista, formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e mestrando em Administração e Desenvolvimento Rural na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Atualmente é coordenador do Centro de Pesquisa (Cepesq) do Instituto Fecomércio em Pernambuco e trabalha na produção de índices de acompanhamento do varejo na Região Metropolitana do Recife (RMR), além de ter participado diretamente da implantação das sondagens de opinião junto aos empresários/gestores e consumidores, captando informações nas principais datas comemorativas do comércio de bens e serviços.Email:  O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Lido 1800 vezes Última modificação em Quinta, 29 Maio 2014 20:40

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